A história do skate.

A história do skate desde seu início até os dias de hoje, como surgiu e onde surgiu, a evolução do esporte pelo mundo e as modalidades criadas com o passar dos anos. Tudo sobre o skateboarding em detalhes você encontra aqui, no Clube do Skate.

Sobre o Clube do Skate

Primórdios

Deslizar no solo a bordo de um shape e quatro rodinhas, superar obstáculos e experimentar o máximo de adrenalina. Mais do que um esporte, o skate na verdade se trata de um estilo de vida, uma forma de se relacionar e sociabilizar, encarado por muitos como uma verdadeira arte de expressão corporal. Uma ideologia, um vício.
Sua concepção é no mínimo curiosa e carregada de lendas. Segundo o historiador de skate Eduardo Yndyo Tassara em reportagem do portal Terra:
Os primeiros relatos de que se tem notícia são de 1918, quando um garoto norte-americano chamado Doc Ball desmontou os patins da irmã e montou um skate em um shape (molde de madeira do skate). Com o joelho apoiado na estrutura, Doc dava impulso com o outro pé. Mesmo não ficando em pé, a essência do skate nascia ali. fonte

Uma das versões mais aceitas, remete-nos até fins da década de 50, início de 60 e à região da Califórnia. Os surfistas, frustrados com o período de “vacas magras” com relação à escassez de ondas, tiveram a ideia de adaptar o surf para o asfalto, esboçando assim aquilo que hoje conhecemos como skate.
Na época chamado de sidewalk surf, usando a criatividade, os surfistas locais adaptaram numa tábua de estrutura menor que a prancha de surf, rodinhas tiradas de patins, tentando reproduzir no asfalto, as manobras clássicas do surf.
A popularização do sidewalk surf (algo como “surf de calçada”) foi tamanha, que em pouco tempo havia tomado de assalto os Estados Unidos da América. Não era difícil ver nas ruas, garotos montando sua própria “pranchinha” para surfar não mais no mar, mas em vias públicas. Nascia assim o embrião do skateboarding, nome com o qual o esporte foi batizado lá pelos idos de 1963, significando “tábua de patins”.


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O salto para a evolução

Na década de 60 o skate ainda dava seus primeiros passos, porém, já trazia indícios do gigante que se transformaria no futuro. Duas marcas entraram de cabeça na produção de skates e seus respectivos acessórios e peças: a Roller Derby e a Makaha. Enquanto a primeira investia nos shapes retões, a segunda se esforçava na criação de um novo design, fabricando mini pranchas de surf.
Nesta mesma época, em Hermosa Beach – Califórnia, ocorre o primeiro campeonato de skate nos EUA, vencido pelo skatista Larry Stevenson (fundador da Makaha), catapultando a venda de milhões de skates mundo afora, popularizando assim o primeiro grande salto do esporte no mundo.
No mesmo período nascia a equipe de skatistas capitaneada por Stevenson, com a finalidade de divulgar ainda mais sua marca. No time, nomes icônicos do skate, como Bruce Logan, Woody Woodward, Danny Bearer, Scott Archer, Gregg Carroll, John Fries, Joey Saenz, Squeek Blank, entre outros.
A influência do surf sobre o skate, bem mais íntima na década de 60, acabou resultando em uma nova modalidade, como a do skate vertical, uma forma de estender a praia para o asfalto.


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A revolução: piscinas como pistas e as rodinhas de uretano

A década seguinte marca o período revolucionário do skateboarding no mundo. A região de Venice – Califórnia, entra definitivamente no mapa do esporte, sendo até hoje referência e sinônimo do skate, bem como de toda a atitude que ele possui como postura e ideal de vida.
Ao inventar as rodinhas de poliuretano, Frank Nasworthy revoluciona a ferramenta skate, ao mesmo tempo em que uma equipe de skatistas denominada Z-Boys torna-se lenda no mundo todo, ao ultrapassar todos os limites imagináveis de obstáculos, principalmente com o surgimento de uma manobra chamada Ollie-Air, de autoria do insano Alan Gelfand.
A importância desta manobra se evidencia ao servir de base para qualquer outra manobra eu se queira desenvolver e evoluir dentro do skate.
Um pouco desta história pode ser conferida no filme Lords of Dogtown, escrito por outra lenda do esporte, o skatista Stacy Peralta:




Segundo relatos, a importância dos Z-Boys não se restringe à questão das manobras revolucionárias, mas também pela presença de uma skatista mulher: Peggy Oki e , mostrando que o público feminino galgava também seu espaço na cena skate.
Outro skatistas fundamental neste momento crucial do skate foi Tom "Wally" Inouye. Criador de manobras como wall rides (andar na parede) e backside airs, ele foi o precursor do skate de piscina, que consistia em ocupar piscinas vazias e aproveitar sua estrutura para a prática do esporte.
Novas modalidades como Slalom, Downhill, Freestyle e o Street, originário das mini rampas de madeira construídas em praças e ruas, e migrando para corrimãos, escadas, guias e paredes, passam a dominar a cena skate.




Skate, punk, música e comportamento

A música sempre andou de mãos dadas com o skate, bem como o estilo de se vestir e a atitude refletida pelos skatistas perante a sociedade e a vida. Neste sentido, o punk rock sempre esteve atrelado ao universo do skate.
Já nos anos 80, o som das ruas passa a ser o rap e o movimento hip-hop tem um verdadeiro boom, não substituindo o punk, mas chegando pra somar nas ideias, no som, na cultura e no modo de se vestir dos skatistas.
A tecnologia também veio pra somar e revolucionar o design e estrutura do modelo de skate, estando hoje, anos luz a frente daqueles primeiros modelos e equipamentos artesanais.
Ainda nos 80, nomes como Rodney Mullen revoluciona ainda mais o modo de se andar de skate, ao criar as seguintes manobras:

Manobras


  • Kickflip
  • Heelflip
  • Hardflip
  • Casper
  • Darkslide
  • 50-50
  • Body varial
  • Nollieflip underflip
  • Varialflip
  • Inward heelflip
  • 360 flip
  • Fs flip
  • Bs flip
  • Varial heelflip, entre outras.



Tony Hawk e o half-pipe

Monstro sagrado do skate, Tony Hawk subverteu a relação entre o skatista e o half-pipe, mostrando que a criatividade em busca da superação, não encontrava limites em sua trajetória. Até hoje a categoria de skate vertical não encontrou um mito de renome como Tony Hawk, referência obrigatória para qualquer skatista no mundo.


No Brasil: de Ueda a Bob

Com um estilo de skate reverenciado nos 4 cantos do mundo, inclusive pelos americanos, o skate brasileiro cravou seu nome no cenário mundial ainda na década de 80, mais precisamente em 89 com Lincoln Ueda que alcançou o quarto lugar no campeonato mundial da Alemanha, surpreendendo a todos e mostrando que no Brasil havia talentos de nível elevado.



O skate gera polêmica ao mesmo tempo em que uma multidão de praticantes começa a tomar as ruas. Isso gera a proibição do skate em São Paulo, um fato inusitado tendo como responsável o então prefeito Jânio Quadros.
Já em 90, o brasileiro Bob Burnquist consolida de vez o nome do Brasil no cenário mundial, não apenas pelo seu modo de andar e conquistas seguidas, mas também por revolucionar.
Bob aprimora uma técnica de andar de skate que consiste em sua prática com a base trocada, chamada switchstance vertical. Neste sentido, o skate não tem mais o lado da frente ou de trás, por exemplo. Um apanhado da história do skate no Brasil pode ser conferida no documentário “Dirty Money”, que engloba principalmente a cena dos anos 90.



O filme “Vida sobre Rodas” também é essencial para compreendermos melhor o skate no Brasil e no Mundo, trazendo relatos e curiosidades de quem viveu toda a fase áurea do carrinho de 4 rodas.



Texto escrito por Luis Perossi